Todo o mar


uma série de poemas antigos...

Escrito por tenille às 13h23
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Desejo

me diga se sim,
ou senão
me leve contigo
ao fim
ou ao chão
mas nada de ser meu amigo,
que isso não comporta
o arrepio que sinto quando me toca
imaginando onde mais
cabe a sua mão.



Escrito por tenille às 13h22
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uma brisa improvável me roubou o alfabeto e fugiu suavizando.
desde então só conheço o cheiro das coisas

e minha fala é o toque ansioso de minhas mãos.
meus olhos estendem-se até a pontas dos dedos e sinto todos os seres

em toda a sua plenitude.
reconheço as pessoas pelo que há nelas de inominado.



Escrito por tenille às 13h22
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À minha mãe

todo dia me recebes com um cansaço agudo na voz,
a sua dor me desespera,
tento achar um novo coração para o seu corpo pretérito,
e um novo ponto de luz para seus olhos quase tristes.

penteio amorosamente seus longos fios de cabelo branco,
os únicos que restaram.
seu corpo se desfaz em lágrimas
e percebo que delas fui feita.

a vitalidade no meu corpo jovem é o sofrimento de não poder oferecê-la,
a compreensão que julgo assimilar é o seu reflexo nas bordas do meu olhar
o aclamado amor que luto para encontrar
nada mais é do que o conforto e o calor de suas entranhas,
quando ainda não havia tempo a nos separar

minha querida mãe:
sou o mesmo cansaço,
a mesma solidão, as lágrimas de que fomos feitas,
a mesma busca infantil por um amor que redima a dor

me deixa agora cuidar da sua menina
acarinhar sua pele marcada
beijar as cicatrizes, desalinhar o seu olhar
lhe oferecer toda a vida que formou-se a partir de ti

e quem sabe assim juntamos os pedaços de nossas almas,
que perderam-se voando pelos ares
em todos os partos que já enfrentamos juntas.




Escrito por tenille às 13h21
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e esse engasgo que não desce
o repúdio que me assalta
tenho os pés atrofiados
e os olhos em contrição
dos caminhos que abandonei
o nascer do sol é todo angústia
tornando insone a minha lida
rasguei o que restou da vida
e não espero redenção,

    só o tempo e sua medida.

 



Escrito por tenille às 13h20
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