Todo o mar


em ti já fui pedra, lesma, gaivota-flor,  

o cheiro do incenso, a falta de palavras

meu corpo templo de mim mesma

do nosso amor,

de um querer imenso

 

profundo como o mar

no alvorecer das descobertas

 

minha existência fez o ninho

no desalinho dos teu cabelos

e enlaçados como pedras

atravessamos o azul perdão,

limites de um céu que nunca existiu

 

palavras embrulhadas pelo vento

entardecem nosso amor

 

percebo que entregaste sua vida

nas minhas mãos

entre os dedos calejados,

seu sorriso em todas as direções.

te amei como a mais simples

das mulheres

 

a distância (limite dos olhos)

anoitece esse saudade

Escrito por tenille às 14h05
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 *

         

Em noite de tua procura

bruma sussurra escura

escuros

olhos tição

cegueira virando loucura

desejos

rajadas em ventos que vão

lonjura

amor viscosa navalha

retalha

meus passos caminhos já não são

 

salmoura me espera em casa

na noite de tua procura.

 

 

*

 

 

desconheço as calçadas que anunciam teus pés

por onde andaste todo esse tempo?

 

 

*

 

a imensidão

 

do silêncio ficou prenha

e gerou o fundo do mar

 

 

*

 

La muerte ha restituido al silencio su prestigio hechizante. Y yo no diré mi poema y yo he de decirlo.

Aún si el poema (aquí, ahora) no tiene sentido, no tiene destino.

Alejandra Pizarnik

 

 

 

 

Há, na espera,

um murmúrio liláceo rompendo-se.

Alejandra Pizarnik

 



Escrito por tenille às 13h13
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