Todo o mar


Ao bruxo

lendo o díptico do poeta
vago na distância perdida dos meus sonhos
armadilhas entre palavras
retornam o folêgo do seu retrato na Sevilha:

alma desabitada
clama por um coração
branco como esta página.

***

 

Escorre nas minhas pernas nosso desejo de povoar o mundo.


***

Arestas

o ciúme me percorre. me agarro aos fios de cabelo que caem tão distraidamente na sua camisa: com eles, faria da loucura minha prisão e de você meu pardal.

***

No tempo dos bandeirantes

dois mouros a desbravar minha geografia pessoal:
a um, de coração partido,
ofereci a alma: lugar onde a mão não toca,
ao outro, em meio à dor essencial da vida,
ofereci as duas metades de um coração partido.

 

 



Escrito por tenille às 23h57
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claro amanhecer faz de mim
iniciante na vida
desfaz amor chaga refeita,
lágrimas tumbas esquecidas
(pra lá do egito da minha sorte),
converge os tragos que já tomei
espalhados no corpo em brasa-morte

sua presença doce língua
a sugar o orvalho das minhas dores.

*

meu coração:
legião de homens chuvosos

 



Escrito por tenille às 19h24
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tempo a passar
               demora-me

o tempo parar
               devora-me.

 

*

no tempo breve do carnaval
tudo cabe

saliva, cheiro forte
máscaras puídas
gotas de loucura
diluindo o céu
da boca
sexo
gozando em si
seus parceiros improváveis

desconheço a ti no tempo leve do carnaval
tão logo acabe



Escrito por tenille às 19h09
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