Todo o mar


 

Sugestão à enfermidade do amor:

O amor não é resposta
pergunta que uma vida não gasta
navegando em solidão, o amante se desgosta
esquecendo de si, plenitude do amor
onde a mar é tudo o que basta.

 

 



Escrito por tenille às 12h24
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olhares remotos
no entremeio do que ainda és
tentam me revirar ao avesso.
eu sou o que posso

e assim é o leito do meu amor
não vejo nossos barcos a navegar
(quando o tempo não nos pertence)
num fluxo maior do que sou

entregas teu coração ao espírito das águas
e mansamente, vamos seguindo o rio acima

sem poder imaginar o que acontece ao seu curso
quando ele se dobra em diferentes esquinas.

 

***

 

É preciso que me deixes agora...
meu corpo adoece, desespera
mas sabe o que é o amor.

 

***

Amor que serena, termina?

Existirá sossego no poço fundo da minha alma

Quando o amor atravessa o tempo?


***

Não consigo mais falar do meu amor
sem repetição
sem aliteração
sem ultrapassar o limiar da traição

ao dicionário.



Escrito por tenille às 12h08
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Noite,
berço dos profundos mistérios,
ladainhas, ecos ancestrais
(és ainda mais noite
no recôncavo negro da Bahia)

Madrugada se anuncia pelo toque do atabaque
o exílio da noite se dissipa nos corpos negros
das mulheres desfeitas em ventos
e tremores de terra

Estrelas atentas, instrumentos a postos,
o céu curvado em reverência
poeira de tempos tão antigos
recompondo o espírito dos filhos apartados.

O latim denuncia na língua, o que germinou
da caminhada marítima que os trouxeram pra cá.
Santos católicos na roda de samba
terços e guias numa só comunhão

Na presença dos orixás,
a vocação para a natureza
e a certeza de que somos essa mesma caminhada
que ultrapassa a vida

que gera filhos mestiços,
fluxos de um mesmo tempo,
guerreiros da gira de olorum.

***

                                             

                                       Recôncavo

Em teu ventre
verde
negro
bundo

gerações infindas
em outra língua
saúdam o mesmo mundo.


Em teu seio
roxo
firme
muito

agarram-se loucas,
transviados
devotos.

Na alma: a carne, a fome 
o osso
orgia ancestral
no seu desbunde mestiçoso.



Escrito por tenille às 12h04
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